Um homem no auge dos seus 32
anos, tem uma parada cardiorrespiratória três semanas antes do nascimento do
seu único filho. Novela? Drama de algum filme?
Porque hoje? Porque justo hoje
lembrar?
E quem disse que só hoje me sinto
engasgada com isso? Com tudo o que vivi?
A dor sempre vai e volta sabia? A
Dor persiste nesses quatro anos me incomodar.
Algumas pessoas devem estar se
perguntando se comecei esse blog há 4 anos atrás tentando entender e um dia
explicar para uma criança porque ela não
tem o que muitos tem, um PAI.
Tornei-me mãe e pai sem ao menos
ter a chance de poder entender qualquer coisa naquele momento. Muitas perguntas.
Muita dor, mas, aprendi muito com tudo o que aconteceu comigo. Porque
relembrar? Acho que porque hoje o assunto veio a tona na sala dos professores.
Eu consegui contar sem desabar para a prof. Maria Fernanda e Roberta a minha
dor. Não chorei... Vontade não faltou, pois relembrar vem à tona todos os
sentimentos mais profundos. Aqueles que ferem...
Nossa como eu consegui passar por
tudo isso?
Olhando pra trás eu não entendo
de onde tirei forças. Como eu consegui me manter em pé?
Como eu consegui continuar com todos os planos sendo que eram construídos por dois e teriam que dar certo apenas com uma das partes.
Como eu consegui continuar com todos os planos sendo que eram construídos por dois e teriam que dar certo apenas com uma das partes.
É Matheus, eu só sentia o seu
coração batendo dentro de mim descompassado, afinal, eu já havia sido
avisada que estava acontecendo algum problema ali dentro que só ao você nascer
saberíamos ao certo a gravidade mas era isso que me mantinha viva.
E nossos planos de envelhecer
juntos, como iriam ficar?
Não sei de nada apenas me
preocupei com você gordinho. Queria você bem e prometi para mim mesma, fazer
você a pessoa mais realizada desse mundo, mas primeiramente prometi que seria
sempre verdadeira quando você me perguntasse sobre seu paizinho.
A coisa mais difícil é tratar do
assunto morte, mas, quando você crescer não vai dar para explicar o que houve
com seu pai sem ter que tocar nesse assunto. Porque é tão difícil se a única certeza
que temos é que se nascemos, com certeza morreremos. Data? Hora? Ano? Impossível
de saber, mas acho que quando a morte está próxima, quem vai partir sente.
Sente algo, pressente, sei lá. Na verdade eu também tenho muito medo de partir.
Sente algo, pressente, sei lá. Na verdade eu também tenho muito medo de partir.
Todo mundo fala abertamente sobre
vida, nascimento a alegria de se nascer, mas na hora de falar da morte, muitos
travam. Preferem nem falar ou pensar no assunto pois, perder dói.
Como explicar que eu com 45 anos
estou aqui, que seus avós estão com 85 vivos e felizes? E seu papai com apenas
32 anos se foi?
Como explicar que a vida continua
e todos nós sofremos sim, mas tivemos que continuar? Seguimos cada qual o seu
caminho e que seu pai apenas continua
presente nos corações de poucos, os que realmente o amavam mas que eu continuo sorrindo até hoje? Que me
levantei e recomecei...
O sonho do seu pai era SER O SEU
PAI, mas como explicar que o Papai do céu, que a mamãe fala ser tão amigo, tão
bom, tão milagroso acabou “tirando” esse presente de você.
É Matheus, um dia você vai ser
grande e sentar para ler tudo isso e ai, quem sabe entenda como está sendo difícil
para a mamãe sentar na frente de um computador e escrever os medos que sempre
persistem em me visitar.
Mas quero que saiba que eu não
poderia ter escolhido alguém melhor para eu ter um filho e que seu pai foi um
marido sensacional e cuidou muito bem da mamãe. Que era meu melhor amigo, meu companheiro
e meu porto seguro. Que nunca brigamos e
éramos unidos e sonhávamos juntos.
Seu pai foi músico, participou de
algumas bandas de Sorocaba. Tocou no Instinto, Walligator e tinha vários amigos.
Seu pai era muito querido.
Que eu nunca me imaginei ficar
velhinha sem ele por perto e que ríamos muito, todos os dias.
Seus irmãos poderão contar para
você o quão bom seu pai foi. Foi um pai para eles e educou-os certinho.
Bom, acho que por hoje basta.
Ainda dói, ainda dói, mas de um jeito diferente.
Mas hoje, em especial hoje, eu preciso sair daqui da escola, pegar você na sua escola, chegar em casa, tomar um banho e chorar para aliviar essas lembranças em mim.
Mas hoje, em especial hoje, eu preciso sair daqui da escola, pegar você na sua escola, chegar em casa, tomar um banho e chorar para aliviar essas lembranças em mim.
Amo você filho e a promessa
continua em pé. Vou fazer você muito Feliz até o dia que Deus permitir.
Beijos dessa mamãe que ama você por inteira!
Beijos dessa mamãe que ama você por inteira!
Isa

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