quinta-feira, 5 de maio de 2016

Livro: Perdoar é Libertar de Inês Stanisiere

Falar de perdão nos dias de hoje pode soar cafona, como algo fora de moda e sem importância no meio da correria cotidiana que cada vez mais nos engole. Mas, se conseguirmos parar por um momento apenas para sentir com verdade o que há dentro de nós, vamos perceber como é difícil perdoar e como trazemos dores e raivas antigas guardadas. Às vezes, carregamos essas mágoas pela vida afora, como pesados pacotes, dos quais pensamos não poder nos livrar. O perdão é a chave que nos permite voltar a ser livres.  É preciso querer e entender que o maior beneficiário deste gesto somos nós mesmos. Não vale a pena guardar rancores dentro de nós que nos fazem mal e só ocupam espaço!  
Então, perdoando, vamos nos libertando para que sentimentos mais felizes possam entrar e ali permanecerem, tornando a nossa vida melhor. Perdoar é deixar para trás o que não pode ser modificado e nos libertar de verdade.Perdoar é libertar.

Ou seja...
Perdoar é entender que o ser humano é falho, fraco e corruptível. É abrir-se a um outro jeito de amor o do entendimento. Não significa persistir no erro mas acreditar que feridas precisam ser curadas o remorso é uma forma de mantê-las abertas.

Eu preciso trabalhar o perdão em mim.
Ás vezes, eu deixo a pessoa falar, falar, chorar, se manifestar mas aqui dentro, só eu sei o quanto é difícil acreditar na palavra: "Me perdoa?".
Evito tanto magoar as pessoas. Sempre seguro a minha boca pra não magoar. Muitas vezes até evito dizer minha opinião de algumas coisas para não haver discussão e com ela mágoas.
Sabe,alguns anos atrás o que vinha na minha cabeça eu falava. Achava que todos mereciam a verdade e não a duvida então, perguntavam a minha opinião e logo eu ia dizendo, se machucasse, ela perguntou.

Hoje não, muitas vezes só observo, muitas vezes deixo guardados meus pensamentos aqui dentro, só pra mim.
Não confio em ninguém me pedindo perdão.
Penso comigo, porque não pensou antes de fazer? Porque me fez acreditar? porque me magoou?

Porque vou perdoar se ela não pensou nos meus sentimentos?
É...preciso trabalhar isso em mim.
Preciso pedir a DEUS que me ajude a não apenas aceitar o perdão mas mesmo magoada eu ter o mesmo carinho após perdoar.
Porque a pessoa pode me dizer ME PERDOA e eu apenas olhar. Não consigo dizer SIM EU TE PERDOO! 











Saudades de mim....

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros


quarta-feira, 4 de maio de 2016

“Livrai-me de gente normal, amém.”

 Não sou a melhor pessoa para falar de sanidade porque a loucura faz parte de mim. E não é aquela loucura inconsequente, é aquela loucura boa de entrega sabe? De encher uma garrafa de vida e tomar até o último gole. Não é um copo ou uma taça, é a garrafa inteira.
 A vida é agora, ninguém sabe até quando o amanhã vai existir. E isso é a única verdade que podemos saborear de fato. Comprar a ideia de viver loucamente cada dia, celebrando, vibrando, aproveitando, custa caro. É aquele tipo de aposta que a gente morre de medo de fazer achando que a perda é certa.
Mas e quem já acha que viveu de tudo e quando menos espera leva mais um golpe da vida?
Ah ... como não viver loucamente se amanhã pode acabar logo alí?
Vivo intensamente....
Estou com um peso no meu coração pois percebi que fui metade de mim para deixar os outros serem inteiros. Mas e agora?
Agora???? O legal é que se pode recomeçar e encontrar pessoas que amem viver intensamente e por inteiro, afinal....quem sempre viveu inteiramente quando precisa viver pela metade, acaba afogando dentro da alma o resto do que se precisa viver e vai morrendo aos poucos.

Sou prova viva disso..kkkkkkkkkkkkkkk

Mas chega....voltei....
Mergulhei até o mais profundo escuro do oceano e adivinha, bati os pezinhos no fundo, dei um impulso e consegui voltar a superfície.
Meio sem fôlego mas sei que terei ajuda para conseguir nadar até a praia novamente...e me levantar e também seguir meu caminho...sem olhar pra trás!
Agora me fala, existe perda maior do que não celebrar a vida todo santo dia? Celebrar mesmo....dar gargalhadas quando se tem vontade, abraçar quem está perto sem medo do que te espera... Não!!!!!! 
A gente morre de medo de se jogar na vida porque existe a prisão do “o que eles vão pensar?”.
Aqui merecia um palavrão daqueles mas @&#*@*#&@*#($@&# (PRONTO ALIVIOU)....tem coisas que saem da gente e que não nos acresce. Então só digo uma palavra, VIVA!
Temos que parar...estamos preocupados demais em manter uma imagem ao invés de nos divertimos. Sanidade demais mata. Loucura também. E a gente sabe que vai ter fim, porque não aproveitar esse doce intervalo de maneira única?
Vamos tentar balancear nossos sentimentos e viver, porque se formos pensar no que os outros vão pensar?
Você não precisa celebrar a vida em uma única festa, ou no réveillon, ou no seu aniversário, ou em qualquer outra data especial. O hoje, o agora, esse minuto é muito importante e precisa ser aproveitado.
Quando a gente deixa a loucura fluir, percebe que até as nossas maiores chateações se tornam pequenas diante do real motivo para ser comemorado. E é a partir dai que você se influencia menos pelos outros e mais por você.
 Você começa a fazer aquilo que realmente te faz feliz, sem se preocupar com opiniões de quem quer que seja. Você aprende a dizer “não” com leveza e “sim” com mais certezas, e isso te faz mais feliz por que não existe culpa.
 Você decidiu por aquilo que te faz bem. Você também começa a observar quem ficará do seu lado, independente de suas decisões. E acima de qualquer coisa, você vai se tornar uma pessoa muito mais legal com você.
 No final, a conta vai ser paga por você. E ai, vai ficar nessa de loucura ou sanidade até quando? Meio termo nunca fez ninguém feliz.

...






Adaptação De Isa Pacheco 
texto de JULIANA MANZATO